Inteligência Artificial chega à computação espacial, apoiando projetos tridimensionais, aponta Deloitte

Inteligência Artificial chega à computação espacial, apoiando projetos tridimensionais, aponta Deloitte

01.04.2025

A Inteligência Artificial (IA) é o novo pilar das inovações tecnológicas, com sua crescente integração em todos os aspectos da vida cotidiana e do ambiente corporativo, e agora chega à computação espacial. No ambiente organizacional, a tecnologia está sendo usada em projetos e cenários tridimensionais. Esse é um dos destaques do estudo anual "Tech Trends 2025", realizado pela Deloitte, organização com o portfólio de serviços profissionais mais diversificado do mundo. O relatório fornece insights e percepções fundamentais para apoiar organizações na tomada de decisões estratégicas e na priorização de investimentos com foco no futuro digital.

De acordo com o documento, a IA é uma infraestrutura essencial para a transformação digital global. A tecnologia, hoje, já opera de forma silenciosa na otimização do tráfego nas cidades, na personalização do atendimento na saúde e na criação de sistemas de aprendizado adaptativos e acessíveis no setor educacional, entre outras frentes cotidianas. Da mesma forma, está em dinâmicas avançadas de organizações dos mais diversos segmentos econômicos.

“A inteligência artificial está se tornando tão indispensável quanto a eletricidade ou a internet. Atua como uma infraestrutura invisível, que impulsiona inovação, eficiência e competitividade em todos os setores. Sua integração nos sistemas empresariais vai além da simples automação, provocando uma reforma completa nas operações. Isso exige uma abordagem estratégica focada em escalabilidade e segurança. Por isso, investir em tecnologias avançadas, capacitação profissional e uma infraestrutura robusta é fundamental para que as empresas possam explorar todo o potencial da IA”, afirmou Rodrigo Moreira de Oliveira, sócio de Technology Strategy & Transformation da Deloitte e líder do CIO Program.

Na 16ª edição do relatório Tech Trends, a Deloitte destaca seis frentes tecnológicas que devem moldar o futuro. Elas se dividem em dois grupos: as capazes de elevar o patamar atual, em termos de interação, informação e computação; e as capazes de promover a sustentação desse cenário, em termos de negócios, cibersegurança e modernização de sistemas. Segundo o estudo, essas tendências apontam um cenário onde a IA será crucial para o crescimento e a competitividade das empresas. Organizações que souberem aplicar essas tendências de forma estratégica estarão na vanguarda da inovação tecnológica e serão mais bem posicionadas no mercado.

Conheça as seis tendências de tecnologia e seu impacto nas empresas brasileiras. A avaliação dos especialistas Deloitte tem por base a relação com grandes players dos setores de inovação e análises aprofundadas dos movimentos de mercado:

1. Interação: Computação espacial ganha destaque

A computação espacial, área da ciência da computação que permite a interação com dados e processos em ambientes tridimensionais, está transformando a forma como interagimos com a tecnologia, criando possibilidades para simulações avançadas e experiências mais imersivas. Quando combinada com a IA, essa tecnologia tem o potencial de antecipar e atender proativamente as necessidades dos usuários, impactando setores como saúde, manufatura e entretenimento.

No Brasil, estudos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Computação Quântica (INCT-IQ) apontam que a evolução da computação espacial pode impulsionar setores como agricultura de precisão, indústria 4.0 e cidades inteligentes, trazendo benefícios significativos para a eficiência produtiva e a tomada de decisões baseada em dados. Setores como arquitetura e design e aeronáutica tem empregado visualizações e gêmeos digitais em processos produtivos e de desenvolvimento.

2. Informação: O futuro da IA

Os Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs) continuam a evoluir, mas as empresas também têm investido nos Pequenos Modelos de Linguagem (SLMs), que se destacam pela eficiência e acessibilidade. No setor de comércio brasileiro, LLMs são amplamente utilizados na implementação de chatbots avançados, proporcionando atendimento ao cliente 24/7, respondendo a perguntas complexas de maneira personalizada e reduzindo a carga de trabalho das equipes de suporte.

Uma iniciativa relevante nesse campo é o BNDES Garagem, programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que apoia startups brasileiras no desenvolvimento de soluções inovadoras baseadas em IA. O projeto incentiva o uso de SLMs para personalização de serviços e automação de processos, impulsionando a adoção de tecnologias mais acessíveis e eficientes. Além disso, a IA baseada em agentes está emergindo como uma tendência que permite a automação de tarefas específicas com maior autonomia. No setor financeiro, esses sistemas inteligentes estão sendo aplicados em análise de crédito e detecção de fraudes, aumentando a segurança e a precisão nas operações. Já na área da saúde, a IA é utilizada para diagnósticos médicos e personalização de tratamentos, oferecendo soluções mais assertivas e contribuindo para a melhoria dos cuidados aos pacientes.

3. Computação: O hardware retoma o protagonismo

Com a crescente demanda por IA, os chips especializados estão se tornando peças fundamentais para processar dados de maneira eficiente. Dispositivos como computadores pessoais e objetos conectados (IoT) estão sendo equipados com esses chips para realizar o processamento localmente, reduzindo custos com a nuvem e melhorando a privacidade dos dados. Há também um movimento crescente no setor tecnológico para o desenvolvimento e adoção de hardware especializado, impulsionado por empresas que investem em centros de dados equipados com chips otimizados para o processamento de IA.

Um estudo do SENAI CIMATEC aponta que a modernização de infraestrutura computacional no Brasil é essencial para suportar o crescimento da IA destacando a necessidade de investimentos em chips especializados e arquiteturas otimizadas para aprendizado profundo e análise de grandes volumes de dados. Essa pesquisa reforça a importância da colaboração entre academia e indústria para impulsionar a inovação no país.

4. Negócios da tecnologia: IA potencializa o setor de TI

A Inteligência Artificial está promovendo uma revolução na gestão de TI, auxiliando no desenvolvimento de software, testes e operações financeiras. Esse avanço está criando um paradigma, no qual o setor se torna mais estratégico e menos dependente de processos tradicionais, viabilizando a automação de tarefas repetitivas e a inclusão de desenvolvedores cidadãos. Segundo a quarta edição do estudo State of Gen AI, realizado pela Deloitte, 67% de lideranças de grandes empresas e indústrias entrevistadas no Brasil revelaram expectativa de aumento nos investimentos em Inteligência Artificial já neste começo ou na metade de 2025.

A necessidade de aprimorar conhecimentos para personalizar demandas, tratar dados de forma eficaz, criar políticas de uso e mitigar riscos, além de mensurar melhor o valor tangível agregado, tem se tornado cada vez mais relevante. O estudo State of Gen AI também revela que soluções baseadas em IA para automatizar atividades como atendimento ao cliente e gestão de infraestrutura estão sendo cada vez mais adotadas no mercado brasileiro. Essa mudança permite que as equipes se concentrem em tarefas mais estratégicas e inovadoras.

5. Cibersegurança e confiança: O desafio da era quântica

Com o avanço da computação quântica, os modelos tradicionais de criptografia começam a apresentar vulnerabilidades. Isso significa que as empresas precisarão revisar e atualizar suas práticas de segurança para proteger dados contra novas ameaças. No mercado brasileiro, a cibersegurança tem se tornado uma prioridade, com empresas acelerando a digitalização e a migração para a nuvem, ao mesmo tempo em que investem em novos produtos e serviços para fortalecer a resiliência contra-ataques cibernéticos. A adoção de criptografia avançada também está crescendo para proteger transações no comércio eletrônico, garantindo a segurança das informações sensíveis e reduzindo o risco de interceptação por agentes mal-intencionados.

A Deloitte, em colaboração com o Fórum Econômico Mundial, avaliou as ameaças que a computação quântica representa para a segurança cibernética por meio do relatório “Quantum Cyber Readiness”, que ressalta a necessidade de as organizações adotarem novas abordagens para proteger seus dados à medida que os computadores quânticos se tornam uma realidade, potencialmente comprometendo algoritmos de criptografia atuais. O centro de estudos brasileiro do SENAI CIMATEC lançou, no ano passado, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), o projeto Quantum Industrial Innovation (QuIIN), com um investimento de R$ 60 milhões. O objetivo é capacitar profissionais e acadêmicos em computação quântica, posicionando o país no mapa das inovações em computação e comunicação quântica.

6. Modernização de sistemas: IA redefine processos centrais

A integração da IA nos sistemas empresariais está tornando os processos mais eficientes e automatizados, mas, à medida que esses sistemas se tornam mais inteligentes, também ficam mais complexos, exigindo maior expertise para sua implementação e gestão. Essa aplicação em operações de TI, como o AIOps, tem permitido que as equipes de tecnologia gerenciem de forma proativa ambientes de trabalho complexos, o que aumenta a eficiência e garante a continuidade das operações. Segundo um estudo do IDC, 80% das organizações estimam ter até 1.000 aplicativos em seu portfólio, o que torna a gestão da tecnologia mais desafiadora. A solução AIOps está ajudando a otimizar a gestão dos sistemas e a reduzir a ocorrência de falhas. No entanto, no Brasil, ainda existem desafios significativos para a adoção plena da IA, como aponta o estudo DXI 2024, realizado pela Meta em parceria com a Fundação Dom Cabral. O estudo revela que muitas empresas brasileiras enfrentam dificuldades para integrar a IA destacando a necessidade de investimentos em infraestrutura, capacitação e uma cultura organizacional mais alinhada à inovação.

“A IA está mudando não apenas os processos internos das empresas, mas também a forma como elas se relacionam com seus clientes, fornecedores e parceiros. Organizações que souberem se adaptar a essas novas dinâmicas, adotando a inteligência artificial de maneira estratégica e responsável, estarão mais bem preparadas para liderar a transformação digital e se destacar no mercado global. No Brasil, empresas que investirem em inovação e no desenvolvimento contínuo de suas equipes terão um papel protagonista na construção do futuro digital”, concluiu Rodrigo.