Taxação de Trump - Análise do economista Chefe da Blue3 Investimentos Roberto Simioni

03.04.2025
Dia da Libertação - Taxação Mundial
Finalmente, o presidente fez seu anúncio no Rose Garden da Casa Branca, acompanhado por autoridades de seu gabinete. Donald Trump anunciou os princípios fiscais que regem o seu "dia da libertação".
Nos últimos dias, Trump sinalizou que seria mais leniente do que muitos esperavam. No entanto, para quem aguardava um anúncio substancial da administração Trump, pouco se extraiu do evento; na verdade, foi mais um discurso de campanha do que um pronunciamento de Estado.
Trump tentou focar a atenção do espectador no futuro do cinturão da ferrugem e do cinturão agropecuário (onde se localiza parte significativa de sua base de votos), cujos setores são intensivos em investimento de maquinário e demandam pouco emprego intensivo de mão de obra de seu eleitorado base.
Durante seu pronunciamento, Trump mencionou desde críticas feitas por um operário desconhecido, supostamente do setor automobilístico, até lamentações presidenciais sobre as ações executivas de seus antecessores, como Ronald Reagan (1981), que atuou no encerramento da Guerra Fria, ou a perda de 5 milhões de empregos da indústria americana e de 90 mil fábricas, que promoveram um déficit de US$ 19 trilhões (segundo os números de Trump) em consequência do acordo do NAFTA, assinado na administração George Bush (R) em 1992.
Entretanto, Trump não destacou que, em 40 anos, a tecnologia na produção avançou sobre a empregabilidade de pessoas. Muito menos que as próprias administrações republicanas abriram frentes de produção em países do Sudeste Asiático, em modelos diferentes de reengenharia da produção. Sua preocupação em frisar o aspecto "sonolento" de seu antecessor prevaleceu sobre os aspectos técnicos da exposição de suas ações de governo a partir das novas tarifas.
Na visão de Trump, neste momento, as empresas que estão investindo para produzir na América, e como destacado, sua agenda foi disputada por embaixadores e rainhas e agora, "montadoras sendo construídas por todo o país". Destacando o esforço dos empresários interessados em investir no país, ele mencionou nominalmente empresas como Oracle, NVIDIA, Johnson & Johnson, Eli Lilly, Meta, CMA (França), Merck, General Motors, Ford, Honda (Japão) e Nissan (Japão), com planos de investimento. Na prática, todas essas empresas possuem operação em atividade na América e, em sua maioria, são empresas americanas, com intenso uso de tecnologia em suas respectivas produções.
Em resumo, o plano de tarifas protecionistas da administração Trump, apresentado como uma estratégia para promover maior reciprocidade nas relações comerciais internacionais, abrangerá barreiras tarifárias e não tarifárias, como subsídios e práticas que desvalorizam taxas de câmbio, prejudicando empresas e trabalhadores dos EUA.
A apresentação do plano de tarifas apresentou um patamar de 10% e um limite de 50% nas taxas aplicadas contra a América, em relação aos seus produtos.
Essas ações complementam o programa de taxação de 25% sobre carros importados, em vigor desde 3 de abril.
O Brasil foi elencado como o 15º país na relação de tarifas, que se soma às ações adotadas na semana passada, quando a administração Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre veículos de passageiros importados, caminhões leves e algumas peças automotivas. Para carros importados protegidos pelo Acordo Estados Unidos-México-Canadá, apenas as peças estrangeiras que compõem o veículo estarão sujeitas à tarifa. Antes disso, o governo Trump aplicou tarifas de 25% sobre produtos do México e Canadá, bem como tarifas de 10% sobre importações da China.
O Brasil não exporta veículos para os Estados Unidos, mas as tarifas impostas recentemente pela administração Trump podem redesenhar as cadeias de produção e comércio, afetando indiretamente o mercado brasileiro, especialmente em setores que dependem de insumos importados, impactando o país no sentido de que haverá um encarecimento na produção e, potencialmente, uma queda nas exportações para a América.
As recentes tarifas impostas sobre carros e autopeças irão gerar impactos em países envolvidos diretamente na produção desses itens, como é o caso do México, que exporta parte de sua produção para a América. Uma reação a essa atitude protecionista americana inicialmente poderia sinalizar a oportunidade de parte dessa produção mexicana ser direcionada ao Brasil. Embora pudesse ser uma oportunidade de aumento da oferta de veículos no mercado brasileiro, na verdade essa oportunidade pode ser pouco representativa, considerando que as alterações de preço serão pequenas.
O Brasil exporta uma quantidade significativa de autopeças (e não apenas esse setor, mas também equipamentos e motores) para a América; as tarifas sendo aplicadas certamente afetarão a demanda por nossos produtos, afetando diretamente as vendas.
Pensar em como os paises serao afetados ou como.os setores de uma economia podem ser beneficiados, nesse momento nao é simples, porque na prática, a negociação dos países em relação ao Departamento de Comércio americano começa agora.